
O preço do café voltou a subir em julho, mesmo com o avanço da colheita da safra 2026/27 no Brasil. Segundo levantamento divulgado pelo Cepea em 5 de agosto de 2026, tanto o café arábica quanto o robusta registraram valorização no mês, impulsionados por fatores climáticos e pela dinâmica de oferta entre as duas variedades.
O movimento chama atenção porque, em geral, o aumento da oferta durante a colheita tende a pressionar os preços para baixo. No caso do café, porém, outros elementos entraram em cena e sustentaram a alta das cotações ao longo de julho.
Colheita do café arábica está próxima do fim
De acordo com agentes consultados pelo Cepea, a colheita do café arábica já avançou significativamente e está próxima da conclusão, com cerca de 20% da área ainda por colher. Na maior parte das regiões produtoras, os trabalhos de campo agora se concentram em duas frentes: o recolhimento do café que já caiu ao chão e a colheita dos últimos talhões remanescentes.
Esse estágio final da colheita costuma ser mais sensível às condições climáticas, já que qualquer chuva pode atrasar o cronograma e afetar a qualidade dos grãos que ainda restam no campo.
Chuvas nas regiões produtoras pressionam qualidade e ritmo
Foi justamente esse o cenário observado em julho. As chuvas que atingiram as regiões produtoras de café arábica geraram preocupação entre produtores e agentes do mercado, tanto em relação ao ritmo dos trabalhos de colheita quanto à qualidade final dos grãos colhidos.
Segundo o Cepea, essa combinação de fatores foi um dos principais motivos que impulsionaram a alta das cotações do arábica no mês, mesmo com a oferta em expansão decorrente do avanço da safra.
Robusta também sobe com colheita praticamente encerrada
Diferentemente do arábica, a colheita do café robusta está praticamente encerrada no país. Ainda assim, os preços da variedade também avançaram em julho, em um movimento que reforça a força da valorização observada no mercado cafeeiro como um todo neste período.
De acordo com o Cepea, a alta do robusta foi sustentada por dois fatores principais. O primeiro é o menor volume colhido da variedade nesta temporada, o que reduziu a disponibilidade do produto no mercado. O segundo é a valorização do próprio café arábica, que acabou puxando as cotações do robusta para cima.
Relação entre as duas variedades no mercado
Esse comportamento evidencia como os preços das duas principais variedades de café negociadas no Brasil estão interligados. Quando o arábica se valoriza, parte desse movimento tende a se refletir também nas cotações do robusta, ainda que as dinâmicas de oferta de cada variedade sejam distintas.
Com a colheita do robusta já concluída na maior parte das regiões produtoras, o mercado da variedade passa a depender mais diretamente do comportamento da demanda e dos estoques disponíveis para definir os próximos movimentos de preço.
O que esperar para os próximos meses
Com a colheita do arábica caminhando para o encerramento e a do robusta já praticamente finalizada, o mercado de café entra em uma fase em que a atenção se volta para o volume final colhido, a qualidade dos grãos e o ritmo de comercialização por parte dos produtores.
As chuvas registradas em julho nas regiões produtoras de arábica são um fator que o mercado deve continuar monitorando, já que impactos na qualidade da safra podem influenciar as negociações nas próximas semanas.
Para produtores, cooperativas e compradores, acompanhar de perto o fechamento da colheita 2026/27 será fundamental para entender os próximos movimentos de preço tanto do café arábica quanto do robusta no mercado brasileiro.
Fonte: Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada)

