
A safra de cacau no Pará fechou 2025 com produção estimada em 141.452 toneladas, resultado apurado pelo Relatório Anual da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e financiamento do Fundo Apoio a Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau). Apesar do volume expressivo, o número representa uma queda de 1,5% em relação ao ciclo anterior, mesmo com a expansão de 4.136 hectares na área em produção.
O levantamento abrange 25 municípios acompanhados tecnicamente pela Ceplac, dos quais 11 compuseram a amostra direta da pesquisa, representando 71% da área produtiva e 86,5% de toda a produção paraense prospectada. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Pará tem hoje 65 municípios produtores de cacau, mas os 40 que ficam fora do acompanhamento da Ceplac respondem por apenas 2,9% da produção estadual.
Área plantada e principais municípios produtores
O estado soma 234.752 hectares plantados de cacau, dos quais 173.791 hectares já estão em produção. A produtividade média alcançou 814 kg por hectare — patamar que, segundo o relatório, ainda figura entre os mais altos da cacauicultura mundial.
Três municípios se destacaram com produtividade acima de 1.000 kg/ha: Placas, Brasil Novo e Uruará. Medicilândia lidera em volume absoluto, com 37.564 toneladas e 26,6% de participação na produção total do estado, seguido por Uruará, com 21.426 toneladas (15,1%).
A região da Transamazônica, que reúne municípios como Altamira, Uruará, Medicilândia, Brasil Novo, Placas e Novo Repartimento, concentra 86,3% de toda a produção paraense. As demais regiões — Sudeste Paraense, Nordeste Paraense, Ilhas e Oeste Paraense — dividem o restante da participação.
Pragas e falhas no manejo pressionam a produção líquida
O relatório aponta que grande parte da produção potencial se perde antes da colheita por falhas nos tratos culturais, sobretudo no controle de pragas. Vassoura-de-bruxa, podridão parda e microácaro aparecem como os problemas mais recorrentes e danosos às lavouras paraenses.
A contagem de frutos realizada em Uruará, tomada como referência para o comportamento das demais áreas prospectadas, mostrou que 49,5% dos frutos avaliados estavam doentes ou danificados. As perdas médias de 13,70 frutos por planta no município inviabilizaram a comercialização de aproximadamente 10 mil toneladas de cacau.
Para o microácaro, o documento associa o maior dano às lavouras com deficiência no sombreamento definitivo. Já no caso da podridão parda, persiste a ausência de proteção das primeiras florações com fungicidas à base de cobre.
Clima teve papel limitado nas perdas de 2025
Segundo o relatório, a distribuição de chuvas ao longo do ano foi suficiente para manter os níveis de água no solo dentro dos limites exigidos pela cultura, especialmente nos polos cacaueiros historicamente delimitados pela Ceplac. Em média, agosto, setembro e outubro concentraram os períodos de déficit hídrico, com agosto sendo o mês mais crítico.
Tomé-Açu foi citado como exceção: mesmo com solo menos argiloso que o dos demais municípios avaliados, não registrou déficit hídrico relevante, o que o relatório atribui à predominância de sistemas agroflorestais na região, que protegem o solo.
Recomendações técnicas para os próximos ciclos
O documento reforça a orientação às instituições de assistência técnica para intensificar o trabalho de poda dos cacaueiros, rebaixando a copa para uma altura entre 2,20 e 2,50 metros. A prática melhora o arejamento interno da planta e facilita a identificação precoce de doenças como a monília.
O relatório também destaca a necessidade de nivelar a produtividade entre as cinco regiões produtoras do estado — Transamazônica, Oeste do Pará, Nordeste Paraense, Região das Ilhas e Sudoeste do Pará — e entre os municípios que as compõem, reduzindo as disparidades hoje observadas.
Para os autores do levantamento, a manutenção de um serviço de assistência técnica e extensão rural presente no campo segue sendo fundamental para que o Pará continue como o maior estado produtor e de maior produtividade da cacauicultura nacional. Números definitivos do IBGE referentes aos municípios ainda não contabilizados pelo projeto devem complementar o resultado final da safra.
Fonte: SEDAP/PA e CEPLAC – Safra de Cacau no Estado do Pará – 2025.

