
Trigo safra 2025/26 segue com desenvolvimento favorável nas principais regiões produtoras do país. Mas o excesso de chuvas no fim de julho no Rio Grande do Sul acendeu um alerta para possíveis danos pontuais nas lavouras gaúchas.
Os dados sobre o trigo safra 2025/26 constam do Boletim de Monitoramento Agrícola da Conab, elaborado em parceria com o Inmet e o Glam, referente ao período de 1º a 21 de julho de 2026.
Segundo o levantamento, o índice de vegetação (IV) da cultura está acima da safra anterior e da média histórica em todas as regiões monitoradas — reflexo de um inverno climaticamente mais favorável do que em anos recentes.
Para o produtor, o cenário é de manejo redobrado no Sul, especialmente contra excesso de umidade. Já no Centro-Oeste e no Sudeste, o ritmo é mais tranquilo, dentro da janela ideal.

Trigo safra 2025/26 no Paraná enfrenta excesso de umidade; RS acelera semeadura
No Paraná, o trigo safra 2025/26 enfrenta umidade elevada que persiste em parte das regiões produtoras. Associada a tempo instável, essa condição tem limitado a entrada de maquinário e a realização do manejo preventivo em algumas áreas. Predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo, com os talhões mais precoces já iniciando o florescimento.
Já no Rio Grande do Sul, o tempo estável e a boa incidência de radiação solar favoreceram a emergência e o estabelecimento inicial das áreas semeadas. A semeadura se aproxima da fase final, com intensificação do ritmo de implantação, concentrada principalmente no Planalto Superior e no Sudeste do estado.
Apesar do avanço, o boletim mantém alerta para os elevados volumes de chuva previstos para o estado. As precipitações intensas registradas no fim do período podem causar danos pontuais, com risco de enxurradas, alagamentos e lixiviação de nutrientes.
Em Santa Catarina, a disponibilidade hídrica adequada do solo e as temperaturas típicas de inverno favoreceram germinação, emergência uniforme e desenvolvimento vegetativo inicial. Geadas de baixa intensidade contribuíram para o perfilhamento das plantas, sem registro de danos relevantes.
As chuvas intensas, porém, causaram pequeno atraso na finalização do plantio em algumas áreas.
Os gráficos de evolução do índice de vegetação reforçam esse cenário misto no Sul. Nas regiões Sudoeste e Centro-Sul Paranaenses, o índice da safra atual está em ascensão, acompanhando o avanço fenológico das lavouras. Já no Oeste Catarinense e no Noroeste Rio-Grandense, houve leve queda no último período — associada ao estádio menos adiantado do desenvolvimento das lavouras e à possível desistência de semeadura em algumas áreas, motivada pelo prognóstico climático de excesso de chuva e pelo risco de impacto na produção ligado ao fenômeno El Niño.

Trigo safra 2025/26 em São Paulo e Minas avança no ciclo reprodutivo; Goiás conclui colheita de sequeiro
Em São Paulo, o trigo safra 2025/26 se beneficia da manutenção da umidade do solo em níveis adequados, sobretudo na região de Itaberá, no Sudoeste paulista. Isso tem sustentado o desenvolvimento das lavouras, que avançam no ciclo reprodutivo, com predominância de enchimento de grãos e parcela em florescimento.
Em Minas Gerais, as lavouras estão predominantemente em enchimento de grãos e maturação, com colheita ainda incipiente e restrita às áreas de sequeiro.
O quadro é desigual entre regiões. No Noroeste mineiro, produtividades e peso hectolítrico dos grãos estão baixos. No Triângulo Mineiro, chuvas tardias beneficiaram lavouras mais atrasadas, mas o perfilhamento deficiente limitou o rendimento. Já no Sul do estado e no Alto Paranaíba, a menor ocorrência de chuvas resultou em produtividades mais próximas da normalidade.
Em Goiás, a colheita das áreas de sequeiro está em conclusão, com produtividades satisfatórias e levemente superiores à expectativa inicial, enquanto a maior parte das áreas irrigadas segue em fase reprodutiva.
Mato Grosso do Sul registrou baixos acumulados de chuva e necessidade de maiores volumes para manter o potencial produtivo. Na Bahia, as lavouras irrigadas seguem em boas condições, entre desenvolvimento vegetativo e enchimento de grãos.

Próximos passos: olho no RS e no ritmo de semeadura do trigo safra 2025/26
Com a semeadura ainda em curso no Rio Grande do Sul e o dado espectral mais recente refletindo o vigor vegetativo do trigo safra 2025/26 apenas até 20 de julho — sem captar ainda o impacto das chuvas do fim do mês —, o próximo boletim da Conab deve ser decisivo para confirmar se os volumes de precipitação no estado gaúcho comprometeram áreas plantadas ou apenas atrasaram operações de campo.
Para o produtor, a recomendação prática é monitorar o escoamento de água nas lavouras já implantadas e avaliar o calendário de manejo fitossanitário assim que as condições de solo permitirem a entrada de maquinário no Paraná e no Rio Grande do Sul.
