
A metodologia de previsão de safra de cacau aplicada pela Ceplac no Pará se baseia na contagem de frutos em campo, feita diretamente nas plantas, em diferentes fases de amadurecimento. O método é a base do Relatório Anual do projeto “Previsão de Safra de Cacau no Estado do Pará”, conduzido pela Ceplac com apoio técnico da Sedap e financiamento do Funcacau, e foi usado para estimar a produção de 141.452 toneladas do estado em 2025.
O trabalho de campo foi realizado com 43 produtores e 215 plantas prospectadas em 11 municípios focais, que respondem por 86,5% de toda a produção de cacau identificada no Pará. Os resultados obtidos nessa amostra são depois aplicados aos demais municípios acompanhados pela Ceplac, seguindo índices de produtividade já validados em diagnósticos anteriores da cacauicultura paraense.
Cinco estágios de crescimento do fruto
A contagem de campo classifica os frutos de cacau em cinco estágios de crescimento: bilro, fruto pequeno, fruto médio, fruto grande e fruto maduro. Em cada planta avaliada, os técnicos registram o total de frutos por estágio, subtraindo aqueles considerados doentes ou danificados, para os quais já não há expectativa de chegar à fase de colheita.
Segundo o relatório, o intervalo entre o estágio de bilro e o fruto maduro dura, em média, 180 dias. É justamente nesse período que os frutos ficam mais vulneráveis a abortamentos naturais e ao ataque de pragas — o que explica por que a metodologia não considera os estágios iniciais no cálculo final da safra.
Por que só médio, grande e maduro entram na conta
Como a fase de floração e os estágios de bilro e fruto pequeno concentram a maior vulnerabilidade a perdas, a Ceplac contabiliza apenas os frutos nos estágios médio, grande e maduro para projetar a safra — e, dentro desses estágios, somente os frutos considerados sadios, com real chance de virar amêndoa comercializável.
O relatório usa o município de Uruará como exemplo prático do método. Em três meses de contagem — março, julho e outubro de 2025 —, o total de frutos avaliados nos cinco estágios somou 3.725 unidades, divididos quase meio a meio entre sadios (1.878 frutos, ou 50,4%) e doentes ou danificados (1.847 frutos, cerca de 49,5%).
O cálculo por planta e a produção final
Depois de aplicado o filtro dos estágios médio, grande e maduro, os técnicos chegam a uma média de frutos sadios por planta em cada mês de contagem. Em Uruará, março apresentou a maior proporção de frutos saudáveis (80,4%), enquanto julho registrou o índice mais baixo (57,8%), com outubro em posição intermediária (64,2%).
Somando os três meses, a média final ficou em 29,37 frutos sadios por planta, contra 13,70 frutos doentes — uma proporção de 68,2% de frutos aproveitáveis para 31,8% de perdas. É esse número, 29,37 frutos por planta, que entra na fórmula de cálculo da produção municipal.
A fórmula que transforma frutos em toneladas
Com o número médio de frutos sadios por planta definido, a Ceplac aplica uma fórmula que converte a contagem de campo em volume de produção. O cálculo usa um peso médio de 0,04 quilo por fruto em amêndoas secas e uma densidade de 900 plantas por hectare.
No caso de Uruará, a conta ficou assim: 29,37 frutos por planta multiplicados por 0,04 kg por fruto, por 900 plantas por hectare, por 20.265 hectares em produção — resultado de 21.426 toneladas e produtividade média de 1.057 kg/ha, um dos maiores índices do estado na safra 2025.
Metodologia cobre 40 dos 65 municípios produtores do Pará
O mesmo raciocínio aplicado a Uruará foi repetido para os demais municípios prospectados diretamente pelo projeto, além de estimativas para os municípios que seguem os índices de produtividade já validados em diagnósticos anteriores. Juntos, esses cálculos resultaram no total estadual de 141.452 toneladas.
O relatório faz uma ressalva importante: os números cobrem apenas 40 dos 65 municípios que o IBGE reconhece como produtores de cacau no Pará. Os 25 municípios ainda não contabilizados pelo projeto devem gerar algum acréscimo ao volume final, que só será confirmado quando o IBGE divulgar seus próprios dados para o estado.

