
O preço do leite ao produtor voltou a subir em junho, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O valor médio pago pelos laticínios ao produtor rural chegou a R$ 2,7464 por litro na “Média Brasil” líquida, alta de 3,02% frente a maio. Na comparação com junho de 2025, porém, houve queda real de 0,86%, já deflacionada pelo IPCA de junho deste ano.
Com o resultado de junho, o primeiro semestre fecha com valorização acumulada de 33,1% e média de R$ 2,4659 por litro. Apesar do avanço expressivo no período, esse patamar ainda está 14% abaixo do verificado no mesmo intervalo do ano passado, o que mostra que a recuperação de preços convive com uma base de comparação mais fraca.
O movimento de alta no campo reflete a firmeza do mercado de derivados lácteos e o ritmo mais lento de captação em algumas regiões produtoras, fator que tem sustentado a concorrência por matéria-prima entre os laticínios. Esse cenário de disputa por leite cru tende a favorecer o produtor no curto prazo, mesmo diante de custos de produção pressionados.
Captação de leite cresce no mês, mas ainda acumula queda no ano
O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) avançou 2,76% de maio para junho na Média Brasil, sinal de recuperação pontual na oferta depois de meses de resultados mais fracos. Ainda assim, no acumulado do primeiro semestre, a captação segue 11,4% menor do que no mesmo período de 2025 — um dos principais fatores por trás da pressão de preços ao produtor observada ao longo do ano.
Essa combinação de menor volume disponível e demanda firme por parte da indústria ajuda a explicar por que o preço do leite ao produtor tem mantido trajetória de alta mesmo em meses de sazonalidade historicamente menos favorável.
Do lado dos custos, o Custo Operacional Efetivo (COE) apurado pelo Cepea manteve-se praticamente estável em junho, com avanço marginal de 0,24% na Média Brasil. O resultado é explicado pelo recuo nos preços das matérias-primas usadas na fabricação de ração, que compensou o aumento da demanda pelo insumo. No acumulado do semestre, o COE acumula alta de 2,04%, ritmo bem mais moderado que o da valorização do leite pago ao produtor — o que, na prática, contribui para uma margem mais favorável ao produtor rural neste início de ano.
Derivados têm comportamento misto em junho
Na ponta industrial, o comportamento dos derivados lácteos foi desigual em junho. Queijo muçarela e leite em pó mantiveram-se praticamente estáveis, com altas discretas de 0,08% e 0,38%, respectivamente, fechando o mês em médias de R$ 35,19 por quilo e R$ 31,89 por quilo.
Já o leite UHT teve comportamento distinto, com queda expressiva de 3,07% frente a maio, encerrando o mês com preço médio de R$ 4,53 por litro. A divergência entre os derivados sugere dinâmicas de demanda distintas dentro da cadeia láctea, mesmo em um cenário geral de firmeza de preços na matéria-prima.
Importações recuam no mês, mas seguem em alta no ano
No mercado externo, as importações de lácteos recuaram 4,17% de maio para junho, totalizando 216,76 milhões de litros em equivalente leite, conforme dados da Secex. Apesar da retração mensal, o volume segue muito acima do verificado um ano atrás: alta de 35,11% frente a junho de 2025.
No acumulado do primeiro semestre, as compras externas estão 14% maiores que as do mesmo intervalo do ano passado, reforçando a relevância dos lácteos importados no abastecimento do mercado interno neste início de ano.
Preço do leite ao produtor deve seguir firme no terceiro trimestre
Para o Cepea, a combinação de estoques reduzidos com a captação ainda em recuperação lenta deve manter a concorrência por matéria-prima aquecida no curto prazo, adiando qualquer movimento de acomodação mais forte nos preços do leite ao produtor. A leitura do instituto é de que o mercado deve seguir em estabilidade com viés de alta nas próximas semanas.
A expectativa para o terceiro trimestre é de aumento gradual da oferta, à medida que a captação se recupera nas regiões produtoras. Para o produtor, o cenário reforça a importância de acompanhar de perto o COE e o comportamento da captação regional na tomada de decisão sobre manejo do rebanho e negociação com laticínios nos próximos meses.
Fonte: Boletim do Leite – Cepea, junho de 2026


