
Entre os municípios produtores de cacau no Pará, Medicilândia aparece na liderança da safra 2025, com 37.564 toneladas colhidas e 26,6% de participação na produção estadual. O dado consta no Relatório Anual da Ceplac, elaborado em parceria com a Sedap e financiado pelo Funcacau, que detalha o desempenho individual de 25 municípios acompanhados tecnicamente no estado.
O levantamento reúne informações de área plantada, área em produção, produtividade e volume colhido em cada localidade, permitindo comparar o peso de cada polo cacaueiro dentro do total de 141.452 toneladas produzidas no Pará neste ciclo.
Top 5 em volume de produção
Depois de Medicilândia, Uruará ocupa a segunda posição, com 21.426 toneladas (15,1% da produção estadual) e 20.265 hectares em produção. Na sequência aparecem Placas, com 17.052 toneladas (12,1%), Brasil Novo, com 10.818 toneladas (7,6%), e Altamira, com 8.968 toneladas (6,3%).
Novo Repartimento fecha o grupo dos seis maiores produtores, com 8.855 toneladas, também 6,3% de participação. Juntos, esses seis municípios respondem por mais de 70% de todo o cacau colhido no estado em 2025.
Produtividade: Placas, Brasil Novo e Uruará se destacam
Quando o critério é produtividade por hectare, a liderança muda de mãos. Placas registrou 1.270 kg/ha, o maior índice entre os municípios avaliados, seguido por Brasil Novo, com 1.185 kg/ha, e Uruará, com 1.057 kg/ha. Os três foram os únicos a superar a marca de 1.000 kg/ha na safra.
Vitória do Xingu (900 kg/ha) e Tucumã (850 kg/ha) aparecem na sequência, acima da média estadual de 814 kg/ha. Já municípios como Alenquer (200 kg/ha), Cametá e Santarém (300 kg/ha cada) ficaram entre os índices mais baixos do levantamento, evidenciando a disparidade de manejo entre as regiões cacaueiras do Pará.
Número de produtores por município
São Félix do Xingu concentra o maior número de produtores de cacau entre os municípios pesquisados, com 3.977 cacauicultores cadastrados, seguido por Uruará (3.454) e Altamira (3.238). Medicilândia soma 2.878 produtores, e Novo Repartimento, 2.684.
No total, o relatório contabiliza 33.964 produtores distribuídos pelos 25 municípios assistidos pela Ceplac, cultivando uma área total de 234.752 hectares — dos quais 173.791 hectares já estão em produção.
Área em desenvolvimento aponta expansão futura
Além da área já produtiva, o relatório mapeia 60.961 hectares em fase de desenvolvimento no estado, plantios que ainda não entraram em produção comercial. São Félix do Xingu concentra a maior extensão nessa condição, com 10.265 hectares, seguido por Altamira (7.764 hectares) e Uruará (8.814 hectares).
Esses números indicam onde a produção paraense de cacau tende a crescer nos próximos ciclos, à medida que essas áreas amadurecem e passam a contribuir com a safra estadual.
Disparidades regionais ainda desafiam a cacauicultura paraense
O contraste entre os municípios líderes e aqueles com produção mais modesta — casos de Monte Alegre (59 toneladas), Santarém (98 toneladas) e Alenquer (113 toneladas) — reforça um ponto já destacado pelo relatório: a necessidade de nivelar o padrão de produtividade entre as regiões produtoras do estado.
Segundo o documento, essa é uma das principais tarefas dos serviços de assistência técnica e extensão rural (ATER) que atuam no campo, já que boa parte da diferença entre municípios está ligada a fatores de manejo, como poda e controle de pragas, e não apenas a condições naturais de solo e clima.
Com a Transamazônica concentrando a maior parte da produção — municípios como Altamira, Uruará, Medicilândia, Brasil Novo, Placas e Novo Repartimento somam a maior fatia do total colhido —, o desafio para os próximos anos é levar os índices de produtividade observados nos municípios líderes para o restante do mapa cacaueiro paraense.
Fonte: SEDAP/PA e CEPLAC – Safra de Cacau no Estado do Pará – 2025.

