
O clima e a produção de cacau no Pará tiveram uma relação equilibrada na safra de 2025, segundo o Relatório Anual da Ceplac. Apesar da influência do fenômeno El Niño registrada no período, a distribuição das chuvas ao longo do ano foi suficiente para manter os níveis de água no solo dentro dos limites exigidos pela cultura, especialmente nas regiões classificadas como polos cacaueiros.
O levantamento, conduzido com apoio da Sedap e financiamento do Funcacau, cruza dados de precipitação de seis municípios cacaueiros importantes com a classificação climática de Köppen, permitindo entender como cada região reagiu ao regime de chuvas do ano.
Três climas moldam a cacauicultura paraense
O estado do Pará abrange três tipos climáticos distintos segundo a classificação de Köppen. O clima Am, presente na Transamazônica e no Oeste Paraense, domina 72% do território e concentra a maior parte da produção de cacau do estado.
O clima Aw, típico da Região Sudeste Paraense, responde por 23,7% da área, enquanto o clima Af, encontrado nas regiões Nordeste Paraense e Ilhas, ocupa 4,3%. Segundo o relatório, a concentração histórica dos plantios nos polos definidos pela Ceplac — onde classificação de solo e pluviometria foram fatores determinantes — ajudou a manter o desempenho da produção dentro das expectativas mesmo em um ano de influência do El Niño.
Déficit hídrico se concentra entre agosto e outubro
Os gráficos de balanço hídrico de Altamira, Medicilândia, Placas, Pacajá e Novo Repartimento mostram um padrão comum: os meses de agosto, setembro e outubro concentram os períodos de déficit de água no solo, com agosto apresentando a maior expressão do problema.
Fora dessa janela, a maioria dos municípios avaliados registra excedente hídrico ao longo do ano, o que sustenta o desenvolvimento das plantas na maior parte do ciclo produtivo. O padrão foi aferido pelo Instituto Nacional de Meteorologia em parceria com o Sistema de Alerta e Previsão de Desastres Naturais Relacionados à Agricultura (Inmet/Sisdagro).
Tomé-Açu escapa do déficit hídrico graças a sistemas agroflorestais
Um caso chama atenção no levantamento: Tomé-Açu não apresentou períodos de déficit hídrico em 2025, mesmo tendo um tipo de solo menos argiloso que o dos demais municípios avaliados — um Latossolo Amarelo Arenoso, que tende a reter menos umidade.
O relatório atribui esse resultado à predominância de sistemas agroflorestais nos plantios do município. A composição mais diversificada da lavoura, segundo o documento, deixa o solo mais protegido e ajuda a preservar a umidade mesmo em períodos de menor volume de chuva.
Uruará registra quase dois mil milímetros de chuva no ano
Entre os municípios monitorados, Uruará teve o volume de precipitação anual detalhado pelo relatório: 1.999,4 milímetros de chuva em 2025. Segundo o documento, tanto o total acumulado quanto a distribuição mensal das chuvas foram suficientes para manter o padrão climático aferido pelo Inmet/Sisdagro na região.
A conclusão do relatório é direta quanto ao papel do clima na safra do município: a variável climática teve pouca ou nenhuma interferência negativa na produção de Uruará em 2025, um dos maiores polos cacaueiros do estado.
Clima não foi o principal vilão das perdas na safra
O relatório é enfático ao afastar o clima como a principal causa das perdas registradas na safra paraense de cacau em 2025. Segundo o documento, a produção bruta acompanhou as médias de produtividade esperadas, e a precipitação pluviométrica anual foi suficiente para manter os níveis de água no solo dentro dos limites exigidos pela planta.
O relatório ressalva, porém, que existem áreas fora dos polígonos históricos dos polos cacaueiros, onde solos com baixa retenção de umidade tornam as plantas mais vulneráveis ao estresse hídrico quando as chuvas são mais escassas ou mal distribuídas ao longo do ano.
Na avaliação da Ceplac, as maiores perdas de produção líquida na safra 2025 estiveram concentradas na falta de tratos culturais — poda e controle de pragas —, e não nas condições climáticas do período, que se mantiveram dentro do esperado para a maioria das regiões produtoras do estado.
Fonte: SEDAP/PA e CEPLAC – Safra de Cacau no Estado do Pará – 2025.

